A importância da Urologia na Puberdade

Já é um padrão da sociedade: quando chegam na puberdade, as meninas fazem um extenso acompanhamento ginecológico para garantir a sua saúde sexual. Este processo é de extrema importância, pois na puberdade ocorrem diversas mudanças no corpo em preparação para a vida adulta. Este acompanhamento garante, então, que todos os aspectos estejam funcionando de maneira correta: questões hormonais, mudanças anatômicas e também psicológicas e sociais ocorrem, e todas precisam de um olhar próximo de um profissional.

Infelizmente, a realidade é muito diferente quando falamos do público masculino. A maioria dos homens nunca foi em uma consulta urológica durante a puberdade, e grande parte dos rapazes que se consultaram nessa fase, o fizeram por conta do surgimento de sintomas ou anomalias relacionadas com a saúde reprodutiva.

Isso é um problema. A puberdade traz uma série de questionamentos e é uma fase bastante complexa para os homens. Entre estes questionamentos, não é incomum que os jovens em transição tenham ideias erradas sobre tamanho do pênis, dimensão dos testículos, quantidade de pelos pubianos e no corpo, altura final, presença de fimose, doenças sexualmente transmissíveis, dúvidas sobre o ato sexual em si, uso de drogas lícitas (cigarros e álcool) e ilícitas (especialmente cannabis). 

A presença de um profissional de saúde credenciado em quem o jovem possa confiar e conversar abertamente sobre essas dúvidas é extremamente importante, pois pode ajudar a evitar uma série de problemas causados unicamente pela falta de informação. Muitas vezes, os jovens sentem-se envergonhados de fazer essas perguntas aos pais, e estes, muitas vezes, simplesmente não sabem como conversar sobre estes assuntos.

Por que isso ocorre?

Quando pensamos nessa diferença – o fato das meninas terem acompanhamento ginecológico quase como uma obrigação durante a puberdade e os meninos, não – muitas questões vêm à cabeça: por que isso ocorre? Como podemos atrair mais jovens para o consultório? Como reduzir o preconceito com as consultas urológicas?

O problema seria causado pela desatenção dos pais em relação à saúde dos filhos, em contraponto com a saúde das filhas? Preconceito, relacionado a uma visão machista da sociedade que diz que homens que se cuidam ou cuidam de sua saúde são menos másculos? Ou seria “apenas” uma ausência de esclarecimento e costume de pais em levar seus filhos para avaliações médicas anuais? A aposta mais correta é uma junção dos três problemas. 

Um estudo realizado pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos deixou bem claro a diferença de atenção dada à saúde de crianças e jovens dos sexos masculino e feminino em idade puberticiosa. 

Entre os dados apontados pela pesquisa, foi revelado que cerca de 80% das consultas ginecológicas são feitas em mulheres dos 15 aos 44 anos de idade, dos quais 20% estão abaixo dos 24 anos. A prevenção de doenças surgiu como principal motivo que leva essas mulheres a se consultarem – cerca de 71% das consultas.

Já para o público masculino, a mesma pesquisa demonstrou que apenas 16% dos homens entre 15 e 44 anos de idade se consultaram com o urologista, e apenas 4% destes homens foram ao urologista antes dos 24 anos de idade. Uma diferença alarmante e que pode estar causando inúmeras mortes anualmente em todo o mundo. 

Um dos pontos que mais chamam atenção nesta pesquisa é que apenas 8% das visitas visavam a prevenção de doenças – ou seja, consultas de rotina. Ainda que os dados sejam de outro país – neste caso, os Estados Unidos, – podemos facilmente extrapolá-los para a realidade no Brasil, uma vez que nossa sociedade reproduz de maneira frequente diversos hábitos da cultura americana. 

O problema

Diante dessas informações, vemos que a ida ao médico urologista ainda ocorre, na sua grande maioria, apenas em face de sintomas de problemas e doenças, muitas vezes com os pacientes dando entrada por meio do pronto socorro, em situações que poderiam ser facilmente tratadas caso fossem identificadas de maneira precoce. Uma vez tratado os sintomas do problema, retorna o fato dos pacientes não consultarem-se com a frequência recomendada pelos órgãos de saúde. 

As crianças e adolescentes são o futuro do Brasil. Garantir a sua qualidade de vida é garantir a qualidade de vida do nosso país, e ainda é uma forma de demonstrar amor com quem passa por uma fase tão delicada e estressante quanto a puberdade. A adoção de bons hábitos de saúde sexual garante menor gasto público com políticas e medicamentos relacionados com o assunto, possibilitando alocação de recursos para outros pontos importantes da sociedade. 

Porém, modificar este panorama não é uma tarefa fácil. A principal estratégia é a disseminação de informações relevantes e o combate às fake news relacionadas com a saúde sexual masculina, bem como o estímulo da população para reduzir o preconceito com homens que cuidam da sua saúde.

Os médicos urologistas podem focar na ação dos colegas ginecologistas para aplicar estratégias de conscientização de sucesso de anos anteriore,s e aplicá-las em relação aos meninos, e escolas e universidades também devem desempenhar um papel na conscientização de jovens entre os 12 e 21 anos de idade. 

Quanto aos pais, fica o questionamento: você já levou seu filho a um urologista para garantir uma consulta voltada à promoção de saúde e prevenção de doenças? Esta tarefa é de muita importância e pode modificar números alarmantes de problemas que afetam os homens, como doenças sexualmente transmissíveis e câncer de bexiga e próstata. Cuide da saúde de quem você ama. Agende uma consulta.